Hidroxicloroquina: Tudo o que você precisa saber

hidroxicloroquina

Nos últimos meses o remédio conhecido como hidroxicloroquina vem sendo fortemente mencionado nos veículos de comunicação e nas redes sociais.

Ele já foi mencionado em pesquisas que apontavam seu potencial uso para tratar a infecção causada pelo vírus Covid-19, já foi contestada por alguns cientistas e, atualmente, há algumas polêmicas políticas envolvidas com este medicamento.

            Para tirar todas as suas dúvidas relacionadas ao fármaco, veja a seguir as dúvidas mais comuns e suas respostas sobre o assunto:

  1. O que é hidroxicloroquina?

É uma medicação comumente utilizada para tratar lúpus eritematoso, artrite reumatoide e juvenil, malária e doenças fotossensíveis (doença que causa sensibilidade extrema da pele quando exposta à luz do Sol ou fontes luminosas artificiais).

Com a pandemia do coronavírus esse remédio foi usado em pesquisas afim de testar a eficácia de sua atuação no tratamento da doença.

Duas pesquisas científicas foram feitas na França pelo médico francês Didier Raoult em que a substância foi associada à azitromicina (um antibiótico) no tratamento de Covid-19, e ambas obtiveram resultados favoráveis.  O primeiro teste foi feito com 24 pacientes e o segundo com 80.

Os especialistas que contestam seu uso apontam que o número de pacientes utilizado na pesquisa foi muito baixo para chegar a uma conclusão. O tratamento também foi feito em pessoas infectadas que apresentavam sintomas brandos.

Outro ponto observado é a falta de um grupo de controle (a comparação feita com doentes que não receberam o tratamento, com a mesma idade e o mesmo estado de saúde dos indivíduos submetidos aos testes).

A hidroxicloroquina é um derivado da cloroquina, é comum que se confunda os termos. A cloroquina é mais barata e tem efeitos colaterais mais fortes. Quando são comparadas, a hidroxicloroquina se mostra mais potente e menos tóxica para o nosso organismo.

Também é mais fácil de ser encontrada nas farmácias populares. Seu uso prolongado pode causar sérios problemas na visão e audição. Alguns tratamentos para coronavírus incluem os dois medicamentos.

  • Como tomar o medicamento?

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento é administrado simultaneamente com outras drogas, como a Azitromicina e Difosfato de Cloroquina. Portanto, é importante ter orientação de um médico que ofereça a prescrição do tratamento adequado, de acordo com a fase em que os sintomas se encontram.

A automedicação é sempre contra indicada, principalmente em casos de remédios com tantas reações adversas.

  • Onde comprar?

Quando as primeiras notícias sobre o assunto surgiram nos meios de comunicação, o remédio, que era encontrado nas farmácias, esgotou-se por todo o Brasil.

As pessoas que dependiam dele para o tratamento das doenças para que ele é prescrito sofreram com a falta do mesmo. Atualmente há a necessidade de prescrição médica para sua compra nas farmácias.

Quando o médico se responsabiliza por prescrever esse tratamento, o paciente assina um termo de responsabilidade citando que está ciente dos seus possíveis efeitos colaterais.

  • Quais são as contraindicações?

– Pacientes alérgicos a cloroquina (são raros os casos);

– Pacientes em uso de digoxina, amiodarona, verapamil ou metoprolol;

– Indivíduos com retinopatias preexistentes;

– Crianças com menos de 6 anos de idade;

– Pessoas com hipersensibilidade conhecida aos derivados da 4-aminoquinolina;

– Diagnosticados com porfira, miastenia gravis ou arritmia.

5. O que dizem os especialistas que são a favor de seu uso?

O tratamento de Covid-19 com hidroxicloroquina divide opiniões entre os médicos especialistas em infecções.

O reumatologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ricardo Azêvedo é favorável quanto ao uso da droga no tratamento da doença.

Ele afirma existir evidências que comprovam que a medicação consegue diminuir a entrada do vírus em uma célula e auxiliar a reduzir a possível resposta inflamatória.

Outro especialista no assunto, o médico Dante Senra, cardiologista e PhD pela USP, se mostra convencido de que exista alguns medicamentos que possuam um poder de ação contra o novo coronavírus, mas assume que essa ação acontece de forma limitada. Como ainda não existe um tratamento eficaz e certeiro, devemos usar o que temos disponível no momento.

Os efeitos colaterais existem e cada caso deve ser analisado por um médico, seu uso indiscriminado pode agravar a situação e levar à morte.

Sabia tudo sobre medicamentos manipulados.

  • O que dizem os especialistas que são contra seu uso?

A maioria dos cientistas são contra seu uso com a justificativa que não existe uma pesquisa científica que comprove seu efeito no organismo humano contra o vírus. Os primeiros testes considerados promissores foram feitos in vitro, e nem sempre a droga age do mesmo jeito dentro do nosso corpo.

Natália Pasternak, microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) afirma que a medicação já foi testada diversas vezes para o tratamento de outras doenças causadas por vírus, e nunca teve resultado positivo. Relata que vários estudos publicados recentemente garantem que ela não funciona em nenhuma fase da doença.

Dois novos estudos foram publicados recentemente na revista Nature sobre o assunto, e ambos mostram que a cloroquina e a hidroxicloroquina são ineficazes no combate à doença.

Em um dos artigos é relatado que a substância foi testada em macacos e não obteve um resultado positivo. Na segunda pesquisa, o efeito das drogas em células pulmonares infectadas pelo vírus também não surtiu um efeito favorável.

Cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, disseram não haver diferença significativa quando o tratamento é feito com placebo ou com a droga em questão.

O placebo é uma preparação neutra, os pacientes testados não sabem se tomaram a dose do remédio ou uma dose sem o remédio.

Dessa forma, é possível controlar reações de natureza psicológica nas pessoas que a recebem e acham que tomaram a dose verdadeira.

Seja qual for a sua opinião sobre o assunto, é importante buscar sempre as orientações de um médico. A automedicação é perigosa e pode causar intoxicação e outros problemas de saúde.

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